Brasil Verde
Crônica

O rio que divide e une Recife

Paulo Nascimento · 7 de junho de 2026

O Capibaribe desce sujo e lento na maioria dos dias. Nas chuvas de março, sobe e invade a memória de quem já perdeu móvel, foto, sono. Eu moro a seis quarteirões dele e ainda assim sinto que o rio me atravessa.

De manhã, pescador na ponte. À tarde, menino jogando pedra. À noite, reflexo de poste na água escura. O rio divide bairro rico e bairro pobre, mas também une quem precisa atravessar de barco quando a ponte fecha.

Minha avó dizia que o rio conhece nome de cada família. Exagero de idosa, talvez. Mas quando a chuva vem forte, o rio lembra quem está na beira e quem está no alto. E a cidade inteira aprende de novo que concreto não substitui margem viva.

Coluna de Helena · Sustentabilidade